Congelar óvulos funciona tão bem quanto usar óvulos frescos?

O congelamento de óvulos deixou de ser algo raro e passou a fazer parte da realidade de muitas mulheres. Seja por planejamento de vida, carreira ou por questões médicas, cada vez mais pacientes optam por preservar sua fertilidade.

Mas existe uma dúvida central que poucas vezes é respondida com clareza:

Óvulos congelados funcionam tão bem quanto óvulos frescos?

Recentemente, um grande estudo trouxe uma das respostas mais completas até hoje.

O que esse estudo analisou

Esse trabalho avaliou dados reais de tratamentos realizados entre 2009 e 2023 na Austrália e Nova Zelândia, utilizando um dos maiores bancos de dados de reprodução assistida do mundo (ANZARD).

Foram comparados:

  • Mais de 98 mil ciclos com óvulos frescos 
  • Cerca de 2 mil ciclos com óvulos congelados e depois descongelados 

Ou seja, não estamos falando de um estudo pequeno ou experimental. Estamos falando de vida real, com pacientes reais, clínicas reais e resultados clínicos concretos. 

O que acontece no laboratório: existe diferença

Quando olhamos para as etapas iniciais do processo, os óvulos congelados apresentam resultados um pouco piores:

  • Menor taxa de óvulos que chegam à fertilização (cerca de 9% menor) 
  • Menor taxa de fertilização (cerca de 6% menor) 
  • Menor chance de formar blastocistos utilizáveis (diferença de cerca de 14%) 

Além disso, a taxa de sobrevivência ao descongelamento ficou em torno de 85%.

Traduzindo isso de forma simples:

👉 Durante o caminho até formar um embrião, existe uma perda maior com óvulos congelados.

Isso é esperado do ponto de vista biológico. O processo de congelamento e descongelamento, mesmo com técnicas modernas como a vitrificação, ainda impõe um certo estresse celular.

E o que realmente importa: gravidez e nascimento?

Aqui vem a parte mais importante.

Quando o embrião já foi formado e transferido, as diferenças praticamente desaparecem:

  • Taxa de gravidez: diferença de apenas -1,2% 
  • Taxa de nascimento: diferença de apenas -1,9% 

Ou seja:

👉 Se existe um bom embrião, o fato de ele ter vindo de um óvulo congelado ou fresco praticamente não muda o resultado final. 

O ponto-chave que quase ninguém explica

Esse estudo traz uma mensagem muito importante, que costuma ser mal compreendida:

👉 O principal impacto do congelamento de óvulos não está na qualidade final do embrião
👉 Está na quantidade de embriões que você consegue gerar

E isso muda completamente a forma de aconselhar pacientes.

O que isso significa na prática

Se você congelar poucos óvulos:

  • Existe maior risco de não chegar a um embrião viável 

Se você congelar uma quantidade adequada:

  • A chance de sucesso final se aproxima muito da de um tratamento com óvulos frescos 

Por isso, a pergunta mais importante não é:

“Congelar óvulos funciona?”

Mas sim:

👉 “Quantos óvulos eu preciso congelar para ter uma chance real?”

Outro ponto interessante: melhora ao longo do tempo

O estudo também mostrou algo que já percebemos na prática:

👉 Os resultados com óvulos congelados vêm melhorando ao longo dos anos

As diferenças nas etapas laboratoriais estão diminuindo com o avanço da tecnologia e da experiência das clínicas.

Então vale a pena congelar óvulos?

Sim, mas com entendimento correto.

Congelar óvulos não é uma garantia de gravidez futura.
Mas é uma estratégia válida para preservar potencial reprodutivo, especialmente quando feita no momento certo.

O ponto mais importante é:

👉 Não é só sobre congelar óvulos. É sobre congelar óvulos suficientes, na idade adequada, com orientação correta.

Conclusão

O congelamento de óvulos funciona, mas com uma nuance importante:

  • Existe perda de eficiência nas etapas iniciais 
  • Mas o resultado final, quando há embrião, é muito semelhante ao dos óvulos frescos 

Isso reforça uma ideia central na reprodução assistida:

👉 O sucesso não depende de um único fator
👉 Depende do conjunto: idade, quantidade de óvulos, qualidade embrionária e estratégia

Referência

Fitzgerald O, Illingworth P, Paul R, et al.
The efficacy of frozen-thawed oocytes compared to fresh oocytes: real-world evidence.
Fertility and Sterility. 2026.

Você não pode copiar conteúdo desta página

Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp!