PFAS: como posso deixar de consumir compostos tóxicos eternos?

Os PFAS, conhecidos como “tóxicos eternos”, afetam a saúde humana e estão presentes em milhares de produtos.

Os PFAS formam um grupo de mais de 12 mil substâncias químicas utilizadas para deixar produtos antiaderentes, impermeáveis e resistentes a manchas.

Mesmo com evidências científicas ligando os compostos per e polifluoroalquilados a problemas de saúde, eles continuam presentes em itens que usamos diariamente — de pipoca de micro-ondas a preservativos.

Por que os PFAS são chamados de “tóxicos eternos”?

Segundo o toxicologista Sérgio Graff, da Toxiclin (SP):

“Os compostos permanecem muito tempo no ambiente. Por serem resistentes à água, óleo, calor e manchas, são muito usados em produtos industrializados, mas se deterioram lentamente e acabam acumulados no organismo.”

Entre os impactos à saúde já associados aos PFAS estão:

  • problemas no fígado;
  • aumento do colesterol;
  • queda da resposta imunológica;
  • riscos hormonais e potenciais efeitos cancerígenos.

panelas com teflon também podem liberar PFAS.

Como evitar contato com os PFAS?

A PFAS Exchange, iniciativa ligada ao NIH/NIEHS (EUA), recomenda reduzir a exposição adotando medidas práticas:

  • Evitar sprays impermeabilizantes em carpetes e estofados;
  • Evitar panelas de Teflon, preferindo: ferro fundido, aço inox, vidro ou esmalte;
  • Consumir apenas água mineral filtrada;
  • Evitar pipoca de micro-ondas e alimentos próprios para aquecimento em embalagens com PFAS;
  • Usar fio dental de náilon em vez dos revestidos com cera artificial.

Também é recomendado que órgãos públicos:

  • testem PFAS na rede de água e esgoto,
  • avaliem níveis de PFAS no sangue da população,
  • façam campanhas de conscientização.
Existe tratamento para quem já foi exposto?

Não há tratamento disponível que elimine PFAS do organismo.
Para quem já possui níveis elevados, a orientação médica é evitar novas exposições ao máximo.

PFAS e riscos à saúde reprodutiva

Segundo o toxicologista Graff:

“Os PFAS não foram suficientemente estudados, mas pesquisas indicam potencial cancerígeno, ação como interferentes endócrinos e risco reprodutivo mesmo em doses extremamente baixas.”

O ginecologista Dr. João Guilherme Grassi, de Londrina, reforça:

“Alguns estudos mostram que os PFAS podem afetar a produção de espermatozoides e estar ligados à desregulação hormonal, endometriose e síndrome dos ovários policísticos.”

Onde os PFAS podem estar presentes?

Essas substâncias surgem até em produtos de uso diário como:

  • detergentes,
  • protetores solares,
  • panelas antiaderentes,
  • roupas impermeáveis,
  • embalagens alimentícias,
  • espumas de combate a incêndio.

Embora a absorção pela pele seja baixa, a maior preocupação é com a ingestão via água, alimentos e resíduos que entram em contato com os PFAS.

Gestantes formam um dos grupos de maior risco, já que os compostos podem afetar o desenvolvimento fetal.

Dá para eliminar completamente os PFAS do cotidiano?

Não.
Como estão amplamente difundidos na indústria, é impossível excluir totalmente a exposição — mas é possível reduzir drasticamente o contato adotando mudanças conscientes no consumo.

Fonte:

https://www.metropoles.com/saude/pfas-como-evitar-toxicos-eternos

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